Grünes Tal Queijaria: o queijo do Vale Verde que nasce entre montanhas e neblina em Santa Catarina
- Tiago Pascoal

- 9 de mar.
- 3 min de leitura

Alguns projetos começam com planejamento.
Outros começam no meio do caos.
No final de 2022, quando a maior enchente da história atingiu São Martinho, em Santa Catarina, a fazenda da família Grünes Tal sofreu grandes perdas.
Era justamente o momento em que a queijaria estava sendo planejada.
Em meio à destruição, surgiu uma pergunta dentro da própria família:
“Você ainda vai fazer aquele curso de queijo?”
A resposta veio imediata.
“Agora é que eu preciso fazer.”
Foi ali que começou, de verdade, a história da Grünes Tal Queijaria.
História do produtor
A Grünes Tal Queijaria nasceu de uma escolha.
O produtor sempre teve admiração pelo universo do queijo artesanal. O desejo não era apenas produzir leite, mas transformar esse leite em algo que carregasse identidade e pudesse chegar diretamente ao consumidor final.
A decisão de construir a queijaria veio dessa vontade de aproximar produção e consumidor.
Mostrar de onde vem o leite.
Mostrar como nasce o queijo.
E permitir que o trabalho da fazenda fosse percebido em sua forma mais completa.
Hoje a produção envolve a família e alguns colaboradores, que trabalham juntos para dar vida ao projeto.
Território
A queijaria está localizada em São Martinho, no sul de Santa Catarina, em uma região conhecida como Grünes Tal, expressão alemã que significa Vale Verde.
O nome descreve perfeitamente o lugar.
Um vale subtropical cercado por montanhas verdes, atravessado pelo Rio Capivari e marcado por um microclima particular.
As manhãs costumam começar com neblina que permanece até por volta das dez horas.
Esse ambiente cria condições muito específicas para a produção de queijo.
Técnica
No Vale Verde, o queijo começa muito antes da queijaria.
Começa no campo.
As vacas da propriedade se alimentam predominantemente de pasto verde cultivado no próprio local. A presença de vacas da raça Jersey contribui para um leite rico em sólidos e betacaroteno, elementos que influenciam diretamente textura, cor e sabor do queijo.
Na produção, alguns princípios são fundamentais:
Qualidade do leite, respeito rigoroso aos processos, fermentação bem conduzida
Para isso, a queijaria utiliza fermentos cultivados, soro fermento e leite fermento.
Desafios
Apesar de ser um projeto recente, a Grünes Tal já enfrentou um desafio marcante antes mesmo de iniciar a produção.
A grande enchente que atingiu São Martinho em 2022 trouxe perdas significativas para a propriedade.
Era um momento em que muitos teriam decidido esperar.
Mas a decisão foi seguir em frente.
O produtor manteve sua inscrição no curso de Mestre Queijeiro em Juiz de Fora e decidiu investir ainda mais no aprendizado.
A convicção era simples:
para reconstruir, era preciso aprender.
Identidade do queijo
Hoje a Grünes Tal produz diferentes estilos de queijo, entre eles:
colonial frescocolonial maturadominas padrãotipo goudatipo morbiertipo cheddarparmesão
Cada queijo nasce da combinação entre território, leite e microbiota natural do vale.
Para o produtor, o objetivo é simples e direto:
Oferecer ao consumidor sabor verdadeiro e autenticidade.
Ou, como ele próprio define:
“Isso aqui é queijo de verdade.”
O queijo do Vale Verde
A Grünes Tal ainda é jovem, mas carrega uma visão clara.
Produzir uma grande diversidade de queijos capazes de encantar o consumidor e mostrar a riqueza do território onde são produzidos.
Um queijo que represente o lugar.
Um queijo que carregue o nome do vale.
O queijo do Vale Verde.
Valorizar o queijo é valorizar quem o produz
Histórias como a da Grünes Tal Queijaria mostram que o queijo artesanal nasce da combinação entre território, aprendizado e persistência.
Na Confraria aoqueijo, cada queijo selecionado carrega exatamente isso: o tempo, o território e a vida de quem decidiu produzi-lo.
Se você valoriza o queijo, valorize também quem está por trás dele.



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