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Laticínios Peritiba: um sonho que atravessou a roça e virou legado no meio-oeste catarinense


Familia do Laticínio Paritiba - Peritiba SC
Familia do Laticínio Paritiba - Peritiba SC

Nem todo começo tem palco. Alguns começam na rodoviária, com uma caixa nas costas e o tempo contado para vender tudo antes do último ônibus.


Antes de existir o Laticínios Peritiba como marca, estrutura e produção organizada, existia uma cena simples, quase invisível para quem não presta atenção. Um homem descia do ônibus em Concórdia com uma caixa de queijo nas costas, caminhava de porta em porta e precisava vender tudo antes do horário da volta, porque aquele seria o dinheiro da família.


Não era estratégia. Era necessidade. E, muitas vezes, é exatamente daí que nascem as histórias que permanecem.


A origem dessa queijaria não está na indústria, nem em um plano de expansão. Está na roça, nas pequenas propriedades onde os avós mantinham uma ou duas vacas e produziam o próprio queijo como parte da sobrevivência.


Foi ali que os pais aprenderam, não em cursos, mas no cotidiano, repetindo gestos, observando resultados, entendendo o tempo da matéria-prima sem precisar nomear isso tecnicamente. O queijo sempre esteve presente, não como produto, mas como extensão da vida no campo.


Em 1995, a produção começou de forma oficial, ainda pequena, utilizando apenas o leite da própria propriedade, na comunidade de Linha Alto São Pedro, interior de Ipira. No ano seguinte, já foi necessário buscar leite nas propriedades vizinhas, não por estratégia de crescimento, mas porque o processo naturalmente exigia mais.


Em 1997, a família retorna para Peritiba e inicia o caminho mais difícil, o processo de regularização com o SIE, sem conhecimento técnico estruturado e sem apoio externo, enfrentando um sistema que parecia feito para quem já sabia, não para quem estava começando.


O território onde tudo isso acontece não é neutro. Localizado no interior de Peritiba, a cerca de 550 metros de altitude, o ambiente combina verões quentes, invernos frios e uma umidade constante que favorece pastagens densas e vivas.


A paisagem do meio-oeste catarinense, com suas colinas suaves, áreas verdes, matas nativas e pequenas propriedades, não é apenas cenário, é parte ativa do resultado. O leite produzido ali carrega essa combinação de clima, solo e vegetação, formando um perfil rico em gordura, proteínas e microrganismos naturais, criando aquilo que define identidade, o terroir que não pode ser replicado fora daquele lugar.


Esse leite não é tratado como insumo, mas como base de tudo. Os cuidados começam na origem, com bem-estar animal, ordenha adequada e armazenamento correto. A coleta é diária, e ao chegar no laticínio, o leite passa por análises físico-químicas que determinam não apenas se pode ser usado, mas como deve ser conduzido.


O processo continua com controle rigoroso de temperatura, tempo, agitação e pH, mas o que realmente sustenta o resultado não é apenas o controle técnico, é a capacidade de observar e entender o que está acontecendo em cada etapa, algo que não se aprende apenas em manual.


O início foi marcado por escassez. Não havia recursos financeiros, não havia acesso a crédito, não havia estrutura. A família fazia tudo, recolhia o leite, produzia, limpava, vendia, de segunda a segunda, sem pausa.


O desgaste era inevitável, mas existia algo que não falhou em nenhum momento, fé e vontade de fazer dar certo. Com o tempo, e com muita economia, conseguiram não apenas manter a produção, mas investir no futuro dos filhos, garantindo estudo sem nunca impor a obrigação de continuar o negócio.


Mas o que começa como escolha livre, muitas vezes retorna como decisão consciente. O contato desde a infância, observando, ajudando e até brincando com a massa do queijo, criou algo que não se perde.


Hoje, a continuidade do Laticínios Peritiba não é obrigação. É construção coletiva. É a família escolhendo permanecer, agora com mais estrutura, mais conhecimento e mais clareza sobre o que estão fazendo.


Os produtos refletem essa trajetória. Queijos como mussarela, minas frescal, ricota, provolone e colonial seguem uma linha mais fresca, enquanto o colonial maturado, com mínimo de 30 dias, revela uma camada adicional de complexidade.


Tudo feito com leite de vaca pasteurizado, mantendo processos o mais artesanal possível, respeitando receitas que vieram dos pais e que ainda hoje orientam textura, aroma e sabor.


E, entre todos, a manteiga se destaca como uma síntese dessa construção, com textura lisa, aroma lácteo e notas tostadas que revelam precisão e cuidado.


No fim, o que o Laticínios Peritiba produz não é apenas queijo ou manteiga. É continuidade. É a prova de que uma atividade que começou como necessidade pode se transformar em legado quando existe persistência suficiente para atravessar o tempo.


E talvez seja isso que mais importa, não o tamanho da produção, mas a capacidade de manter a essência enquanto se constrói algo maior.


Se você valoriza produtos que carregam história, esforço e identidade real, a Confraria aoqueijo é um convite para acessar queijos que não nasceram prontos, mas foram construídos ao longo de uma vida inteira.

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